O Mosteiro de Leça do Balio

O MOSTEIRO DE LEÇA DO BALIO
- Património Natural -
(Exerto)
"Amacias o caldo, em teu perfume
Dás vista aos olhos; enches do teu lume
Palácio, Templo, ou antro de caverna
Azeite de Oiro, num cristal macio,
Alegria de meza e seu adorno
Que bem te casas, tu, ao pão do forno,
A' verdura das hortas, fio a fio!"
in OLIVEIRA, Correia de - Arboricultura,
Gazeta das Aldeias, nº 2109 de 16 de Abril de 1947, p. 293
O primitivo Mosteiro de S. Salvador de Leça implantou-se, cerca do século X, "num valle do rio Leça, muito à margem esquerda d'este (...) este mosteiro demora no logar do Souto (largo e rua), (...) este logar pertencia ao de Recarei"[1]. O espaço, aqui referido, tem sido descrito das mais variadas formas. Uma prespectiva romancista ao século XIV, da autoria de Arnaldo Gama, situa o monumento, visto de "uma alta colina, que abraçava, de sul a poente, um extenso e dilatado vale, dividido em campinas verdejantes e franjadas por copado arvoredo, por entre as quais se deslizava em caprichosos meandros a apressada corrente de um pequeno rio"[2]. Já um outro autor refere-se à paisagem e ao edíficio como "uma imprevista aparição de um cenário de alguma página das «Lendas e Narrativas», do velho e evocativo Herculano"[3]; Foto 1.
Geograficamente, este mosteiro, insere-se nas terras da Maia, gozando de localização estratégica com o Atlântico a Oeste, o rio Leça a Este, o Minho a Norte e o rio Douro a Sul. Este posicionamento beneficiava o desenvolvimento da comunidade: a agricultura era tanto mais excelente quanto mais as características geomorfológicas o eram; os solos férteis e a abundância da água ajudavam a favorecer a policultura, enquanto que os rios
[4] tinham funções de fronteiras naturais, facilitando a implementação dos Mosteiros e a vida destes.
No século XVIII, o couto e Mosteiro de Leça do Balio estava ligado ao então julgado de Bouças; Mapa 1. Fazia fronteira com Paranhos, Águas Santas, Milheirós, Nogueira, Vermoim, Barca , Moreira e Santa Cruz do Bispo, freguesias do concelho da Maia
[5], extinguindo-se a contiguidade com Ramalde em 21 de Novembro de 1895, ficando ainda ligada ao Porto através da Amieira. Actualmente, pertence ao Distrito do Porto e é uma das freguesias do Concelho de Matosinhos. Fica a cerca de 8 km da sede do Distrito e a 10 do Concelho[6] (...)
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Autora: Margarida Pereira Rebelo
PORTO, 1996 (No prelo)

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